A informação que você recebe em sua faculdade é baseada em evidências científicas confiáveis ?

Muitas vezes realizamos procedimentos clínicos em nossos pacientes e não nos questionamos se estes

procedimentos estão em conformidade com o que a ciência atual preconiza.

Os professores transmitem seus conhecimentos baseados em sua formação acadêmica e experiências pessoais, os alunos no máximo estudam por livros textos muitas vezes desatualizados e perpetuam esses conhecimentos em seus consultórios por décadas.

Não seria mais fácil se os professores nos auxiliassem na construção do conhecimento baseado também em evidências científicas?

Atualmente a ciência Endodôntica em várias pesquisas in vitro publicadas em forma de artigos encontrados na plataforma Pubmed relatam o alto potencial de extrusão de debris durante a instrumentação com sistemas reciprocantes e teorizam que esta situação poderia estar causando dor pós-operatória.

Por outro lado alguns artigos de estudos clínicos randomizados, na mesma plataforma, demonstram em seus resultados baixos índices de dor pós operatória utilizando os sistemas reciprocantes. Qual destas informações o professor e os alunos devem acreditar?

Quem respondeu em ambas acertou, porém devemos lembrar das aulas de metodologia da pesquisa para podermos analisar estas informações de modo crítico.

Naquela época apreendemos que existem vários níveis de confiança relacionados a qualidade metodológica de uma pesquisa, sendo o nível mais baixo os das pesquisas in vitro e de experimentação animal e o mais alto os dos estudos clínicos randomizados em seres humanos (ECR).

Na ciência Endodôntica muitos tabus e paradigmas são alicerçados em pesquisas in vitro ou em animais. Todos nós deveríamos utilizar a técnica DCP (Duvidar, Criticar, Pesquisar) para testar e fortalecer nossos conhecimentos.

Vou dar um exemplo: “Seu professor lhe comunica que você não pode utilizar o cimento endodôntico X para obturar um canal radicular, pois caso ocorra extravasamento o paciente terá uma dor pós-operatória”.

Primeiro duvide e critique, ou seja, o seu professor acredita nesta situação por qual motivo? Qual tipo de

evidência científica ele esta utilizando? Pesquisa em livros textos? Pesquisas in vitro em dentes extraídos? Pesquisas em animais? Um ou dois relatos de casos clínicos? Estudos clínicos randomizados ? Ele simplesmente ele esta repetindo o que escutou de seu professor há 20 ou 30 anos?

Depois disso, juntamente com seu professor, faça uma busca na literatura especializada e visualize como a ciência atual trata esta problemática, leia pesquisas com alto nível de evidência (metanálise e ECR).

Se depois de tudo isso você conferir que realmente seu professor lhe passou uma informação baseada em evidências científicas atuais, você poderá aplicar esse conhecimento em seu paciente com segurança e eficácia!

REFERÊNCIAS

Dyniewicz, AM. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São caetano do Sul-SP. Difusão Editora, 2009.

Hulley, SB; Cummings, SR,Warren; Browner, WS, Grady, D, Hearst,N, Newman, TB. Delineando a Pesquisa Clínica. 4a. Edição. Porto Alegre:

Artmed, 2015.

Níveis de evidência relacionada à qualidade metodológica 32

2017-03-07T22:18:30+00:00